Oficina: Compor-se com (o) outro – Renata Roel

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Você, meu dispositivo de vigilância (Renata Roel)

Reflexão sobre as escolhas, sobre as presenças e artifícios de criação cênica:

Os pontos de semelhanças entre objetos de naturezas diferentes: Espelho e Webcam. Sobre uma criação analógica, buscando diferentes fisicalidades do que existe (realmente) e do que acontece (virtualmente). Um Quem-Sujeito que se localiza visualmente nesse espaço espelho/webcam. O visual se torna tato e se espalha pelo corpo (músculos, pele, tendões, ossos, boca, cabelo…). Diz-se agora ser uma criação analógica, pois interessa a qualidade desse sujeito-eu e os tantos quem’s que nele/dele se desdobram. Tenta-se na imagem da webcam e do espelho: volume, peso, intensidade dos tantos outros num só.  Em frente a webcam/espelho algo se altera, altera o modo de ser e surgem outras fisicalidades.

Seriam personagens ativados? Nesse caso, faço enquanto criadora dessa investigação em dança algumas aproximações e relações entre uma coisa (espelho) e outra (webcam), entre os Eu’s, olhando para os modos de Ser Eu em relação à Outros. Outros eu’s <> outros eles. Busco esses espaços para os Outros Quem’s num só.

Reflexões sobre os desdobramentos da comunicação, da construção e suas relações poéticas:

Os buracos entre os Eu’s aparecem como guia dessa criação em dança. Entro numa brincadeira entre personagens e fisicalidades desses: Eu’s, Outros, Nós, Quem’s. Danço para a Webcam e, observo concomitantemente e invisto nisso, Eu’s tentando ser Outros. Aparece sutilmente uma presença que tenta seduzir a si mesma e também os buracos de espera, de Ser para o Outro, de Seduzir a Si e de estar constantemente cavando buracos para que caiba Outros em Mim. Parece ensimesmado e ao mesmo tempo pareço estar na multidão. Perdida nos buracos de como me vejo e do que/como Sou para Outro’s. Essa devolutiva imediata do Espelho, essa Imagem do Eu, me mostra os buracos-abismos-espaços e a necessidade, enquanto existir, de complementaridades. Ou seriam as incompletudes?

Mesmo em tantos Nós, há também espaço e volume para abrir mais buracos- póros-espaços- abismos para Outros me Deformarem.

Salvador, 3 de novembro de 2012.

Renata Roel ( agradecimento à Colaboração e Olhar Sensível de Candice Didonet)

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Poética dos Líquidos

Poética dos Líquidos

Vídeo produzido como experimento da pesquisa – Poética dos Líquidos – possibilitou uma nova textura de relação, composição e qualidade de movimento para o trabalho – a partir da ideia/ação de “aquarelar”.

Vídeo:

Desenho de Conrad Roset

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Fica comigo! Você. [me desespera] de Renata Roel

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A espera é um encantamento: recebi a ordem de não me mexer. A espera de um telefonema se tece assim de pequeníssimas interdições, ao infinito, até o inconfessável: não me permito sair do cômodo, ir ao banheiro, nem mesmo telefonar (para não ocupar o aparelho); sofro quando me telefonam (pela mesma razão); desespero de pensar que a tal hora próxima terei que sair, correndo o risco, assim de perder a chama benfazeja, o retorno da Mãe. Todas essas diversões que me solicitam seriam momentos perdidos para a espera, impurezas de angústia. Pois a angústia de espera, na sua pureza, exige que eu permaneça sentado numa poltrona ao pé do telefone, sem fazer nada.

(Fragmentos de um discurso amoro – Roland Bathes)

No des- espero choro.

http://www.youtube.com/watch?v=Ins1b2ezL2A&feature=youtu.be

É Quase Como Que – Mariana Batista

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Íntimo….

é o que está em mim hoje, é o que eu sinto, é o que eu desejo…intimidade

Existe muito espaço entre as pessoas.

Partes do corpo: olho / boca

o movimento da fala me interessa, a articulação dos lábios e mandíbula.

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Um processo de dança para vídeo ou um vídeo-dança (sobre o solo “quase como se estivesse aqui”):

 

Este trabalho é um solo de dança construído especificamente para vídeo, então envolve dois processos de estudo: A composição de movimentos, pesquisa corporal e também de vídeo/imagens. A pesquisa entre esses dois processos permeia em como utilizar e escolher os diferentes recursos que o vídeo proporciona conectando com as escolhas de movimento.

A forma como estou trabalhando com o solo envolve escolhas enquanto performer e também como observador. Na posição como performer e criador o estudo é focado na pesquisa de movimentos, no como eu investigo as informações corporais e seleciono caminhos para comunicar a ideia proposta. Além da pesquisa corporal é realizada uma pesquisa de imagem, ou seja, investiga-se como é o olhar de fora para o trabalho,  que como observador é um importante estudo para a harmonização entre movimento e imagem.

Me pergunto qual é o caminho que está direcionando meu trabalho: Se são minhas escolhas em relação ao vídeo ou à pesquisa de movimento? Acredito que no momento um está dependendo do outro, eles ocorrem simultaneamente.  Esta é a forma como percebo o andamento do processo.

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O que me motivou a iniciar esta pesquisa?

Um medo temor ao sentir que alguém viria falar comigo. Uma mulher oriental que passava pela rua conversando com a outra mulher que fez o gesto de colocar a mão na orelha para entender melhor o que a outra estava falando. Um motorista de ônibus que foi um grosso ao ordenar que sentássemos sem permitir que a gente perguntasse se estávamos no ônibus certo. O chinês do restaurante que ficou irritado porque perguntamos como era a comida do cardápio que estava escrito em inglês e que ele entendeu que tínhamos perguntado se naquele restaurante tinha comida do nosso pais e ai ele ficou ofendido. Os desentendimentos. O dia que fui fazer compra sozinha na farmácia  e tive que ir no self checkout onde vc tem que scanear os produtos sozinho e logo colocar na sacola para a maquina identificar o peso do produto e se isso não acontecer a maquina trava e fica falando com você  te ordenando a fazer alguma coisa que naquele dia eu não entendi – depois eu entendi.  O terrível dia que tinha um compromisso num lugar que eu ainda não conhecia  e me arrisquei a pedir uma informação para o motorista de ônibus (de novo o motorista) e ele me respondeu com o proposito de esclarecer minha duvida, quer dizer se eu tivesse entendido teria esclarecido, mas eu peguei o ônibus errado e fui para o outro lado; a sensação de incapacidade. Do dia que fui voluntaria numa apresentação de dança e fiquei feliz porque consegui servir cerveja e vinho para o público e ainda assistir a apresentação de graça. De ter conhecido pessoas de todas as partes do mundo que tem as mesmas dificuldades e angustias que eu morando aqui sem conseguir ter segurança ao me comunicar, pelo menos no começo. De ter participado de uma residência de dança de uma semana sem entender direito a fala verbal mas a comunicação rolou fluida aqui com os corpos em movimentos. De ver um mundo tão igual e ao mesmo tempo tão diferente entre aqui e ai. Por ver pessoas solitárias todos os dias nas ruas.  Por não entender direito como o cardápio e o tamanho das porções  funcionam aqui e perceber que sempre tem comida para 2 ou 3. Por ver o desperdício. Por ter assistido  o cara enorme tomando seu café da manhã no hotel gemendo e grunindo o tempo todo enchendo seu prato com ceral, leite, e comendo sua panqueca com melado.  Por ver uma mulher no ônibus constrangida por que era sua primeira vez manuseando sua cadeira de rodas elétrica e ela não sabia direito como funcionava.  Por ter que ir no banco depositar um cheque, pagar um aluguel, imprimir um arquivo e suar muito para fazer isso. Por ter ficado dois messes morando sozinha e perceber que em pouco tempo eu ganhei alguns amigos aqui. Por ter morado dois messes sozinha e sentir solidão. Pela clareza e tranquilidade que minha mente foi reconhecendo cada palavra e entendo o significado de uma sentença sem muito esforço. Por participar de um bate papo após uma apresentação de um trabalho que dancei  e ter falado em público. Por ter ido numa palestra de uma artista onde ela falou que o corpo é seu país. Por encontrar todos os dias minha vizinha chinesa que não fala inglês e que sempre me cumprimenta com um sorriso e uma simpatia imensa. Por  faltar coragem as vezes de ir falar apenas “oi”. Por fazer fazer coisas que você achava que nunca iria fazer. Por perceber que …

 

(É Quase Como Que) from Mariana Batista on Vimeo.

Oficina Permanente de Contato Improvisação

Marina Scandolara*

*Proponente de Oficina Permanente de Contato Improvisação – todo primeiro sábado do mês

Estes encontros têm como proposta explorar a potencialidade poética e criativa dos corpos na prática de contato improvisação. Além do estudo das estruturas corporais, relações de peso e contrapeso, suspensões e diferentes tipos de toque, buscam refinar a escuta e a comunicação entre os corpos.

Cada vez mais interessa a clareza da informação proposta no espaço. Perceber, organizar e informar a dança no espaço e para o outro. Este reconhecimento trás refinamento e possibilita mais liberdade de criação.

Poder aquietar expectativas, perceber as pequenas danças que já acontecem com o corpo em repouso, reconhecer o corpo do outro, as várias “camadas” que antecedem o toque, arquiteturas e estruturas corporais, disponibilizar o corpo para encaixes, reconhecer as constantes ações de resistir e ceder (para o chão, para si, para o espaço e para os outros) fazem parte dos conteúdos desta oficina, que acredita na potencia imagética e poética que surgem do corpo e do movimento.