É Quase Como Que – Mariana Batista

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Íntimo….

é o que está em mim hoje, é o que eu sinto, é o que eu desejo…intimidade

Existe muito espaço entre as pessoas.

Partes do corpo: olho / boca

o movimento da fala me interessa, a articulação dos lábios e mandíbula.

2

Um processo de dança para vídeo ou um vídeo-dança (sobre o solo “quase como se estivesse aqui”):

 

Este trabalho é um solo de dança construído especificamente para vídeo, então envolve dois processos de estudo: A composição de movimentos, pesquisa corporal e também de vídeo/imagens. A pesquisa entre esses dois processos permeia em como utilizar e escolher os diferentes recursos que o vídeo proporciona conectando com as escolhas de movimento.

A forma como estou trabalhando com o solo envolve escolhas enquanto performer e também como observador. Na posição como performer e criador o estudo é focado na pesquisa de movimentos, no como eu investigo as informações corporais e seleciono caminhos para comunicar a ideia proposta. Além da pesquisa corporal é realizada uma pesquisa de imagem, ou seja, investiga-se como é o olhar de fora para o trabalho,  que como observador é um importante estudo para a harmonização entre movimento e imagem.

Me pergunto qual é o caminho que está direcionando meu trabalho: Se são minhas escolhas em relação ao vídeo ou à pesquisa de movimento? Acredito que no momento um está dependendo do outro, eles ocorrem simultaneamente.  Esta é a forma como percebo o andamento do processo.

3

O que me motivou a iniciar esta pesquisa?

Um medo temor ao sentir que alguém viria falar comigo. Uma mulher oriental que passava pela rua conversando com a outra mulher que fez o gesto de colocar a mão na orelha para entender melhor o que a outra estava falando. Um motorista de ônibus que foi um grosso ao ordenar que sentássemos sem permitir que a gente perguntasse se estávamos no ônibus certo. O chinês do restaurante que ficou irritado porque perguntamos como era a comida do cardápio que estava escrito em inglês e que ele entendeu que tínhamos perguntado se naquele restaurante tinha comida do nosso pais e ai ele ficou ofendido. Os desentendimentos. O dia que fui fazer compra sozinha na farmácia  e tive que ir no self checkout onde vc tem que scanear os produtos sozinho e logo colocar na sacola para a maquina identificar o peso do produto e se isso não acontecer a maquina trava e fica falando com você  te ordenando a fazer alguma coisa que naquele dia eu não entendi – depois eu entendi.  O terrível dia que tinha um compromisso num lugar que eu ainda não conhecia  e me arrisquei a pedir uma informação para o motorista de ônibus (de novo o motorista) e ele me respondeu com o proposito de esclarecer minha duvida, quer dizer se eu tivesse entendido teria esclarecido, mas eu peguei o ônibus errado e fui para o outro lado; a sensação de incapacidade. Do dia que fui voluntaria numa apresentação de dança e fiquei feliz porque consegui servir cerveja e vinho para o público e ainda assistir a apresentação de graça. De ter conhecido pessoas de todas as partes do mundo que tem as mesmas dificuldades e angustias que eu morando aqui sem conseguir ter segurança ao me comunicar, pelo menos no começo. De ter participado de uma residência de dança de uma semana sem entender direito a fala verbal mas a comunicação rolou fluida aqui com os corpos em movimentos. De ver um mundo tão igual e ao mesmo tempo tão diferente entre aqui e ai. Por ver pessoas solitárias todos os dias nas ruas.  Por não entender direito como o cardápio e o tamanho das porções  funcionam aqui e perceber que sempre tem comida para 2 ou 3. Por ver o desperdício. Por ter assistido  o cara enorme tomando seu café da manhã no hotel gemendo e grunindo o tempo todo enchendo seu prato com ceral, leite, e comendo sua panqueca com melado.  Por ver uma mulher no ônibus constrangida por que era sua primeira vez manuseando sua cadeira de rodas elétrica e ela não sabia direito como funcionava.  Por ter que ir no banco depositar um cheque, pagar um aluguel, imprimir um arquivo e suar muito para fazer isso. Por ter ficado dois messes morando sozinha e perceber que em pouco tempo eu ganhei alguns amigos aqui. Por ter morado dois messes sozinha e sentir solidão. Pela clareza e tranquilidade que minha mente foi reconhecendo cada palavra e entendo o significado de uma sentença sem muito esforço. Por participar de um bate papo após uma apresentação de um trabalho que dancei  e ter falado em público. Por ter ido numa palestra de uma artista onde ela falou que o corpo é seu país. Por encontrar todos os dias minha vizinha chinesa que não fala inglês e que sempre me cumprimenta com um sorriso e uma simpatia imensa. Por  faltar coragem as vezes de ir falar apenas “oi”. Por fazer fazer coisas que você achava que nunca iria fazer. Por perceber que …

 

(É Quase Como Que) from Mariana Batista on Vimeo.

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